NOTICIACRISTIANA.COM.- O governo sírio e líderes da comunidade drusa anunciaram na quarta-feira um cessar-fogo que põe fim aos intensos confrontos entre forças estatais e milícias drusas na cidade de Sweida. A trégua foi alcançada após ataques aéreos de Israel em Damasco, alegando que seu objetivo era proteger os drusos e dissuadir militantes na fronteira.
Quem são os drusos?
São uma minoria etnorreligiosa originada no século X como um ramo do ismailismo, uma corrente do islamismo xiita. Embora sua religião tenha raízes islâmicas, é considerada independente e não aceita conversões. Estima-se que mais da metade dos cerca de um milhão de drusos no mundo viva na Síria, principalmente no sul, próximo às Colinas de Golã.
A violência começou após o sequestro de um comerciante druso por grupos beduínos sunitas. Isso desencadeou uma série de ataques entre as duas comunidades, que envolveram as forças governamentais. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, alguns membros das forças de segurança apoiaram ativamente os beduínos.
Como eles se encaixam na política regional?
Apesar de serem uma minoria pequena, frequentemente desempenham um papel desproporcional na política dos países onde vivem.
Em Israel, os drusos são cerca de 150.000. Diferentemente dos cidadãos árabes palestinos de Israel, muitos árabes drusos servem no exército e na polícia israelenses, inclusive durante a guerra em Gaza, e alguns alcançaram altos cargos, o que significa que suas vozes não podem ser facilmente ignoradas pelos líderes políticos israelenses.
Embora a maioria dos drusos em Israel se identifique como cidadãos israelenses, mais de 20.000 que vivem nas Colinas de Golã ocupadas ainda se identificam como sírios e mantêm laços estreitos com familiares do outro lado da fronteira.
Diante dos apelos dos drusos israelenses para ajudar os drusos sírios, os líderes israelenses têm citado a proteção como motivo para atacar a Síria repetidamente este ano.
A intervenção israelense
Por essa razão, Israel bombardeou posições militares em Damasco e em Sweida, justificando sua ação como defesa do grupo minoritário. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou: “Não permitiremos que os drusos em Jebel Druze sejam prejudicados”. No entanto, líderes drusos como Walid Jumblatt criticaram essa postura, alertando que Israel busca dividir a Síria sob o pretexto de proteção.
O presidente interino Ahmed al-Sharaa, ex-comandante de uma facção ligada à Al-Qaeda, condenou os ataques israelenses e prometeu proteger os drusos: “Afirmamos que proteger seus direitos e liberdades está entre nossas prioridades”. Ele também anunciou que a segurança em Sweida será administrada por líderes comunitários.
Contexto político e religioso
Mais de 500 pessoas morreram em Sweida desde o início dos confrontos, incluindo civis e combatentes de ambos os lados. Relatos de execuções sumárias por parte das forças governamentais intensificaram a desconfiança em relação ao novo governo, que havia prometido inclusão de grupos minoritários.
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